Últimas

O farol de 1860 e o raro cervo-do-pantanal que fazem desta cidade um dos tesouros históricos do Rio Grande do Sul

Viamão guarda uma história que antecede a própria formação de Porto Alegre. A apenas 25 km da capital gaúcha, o município reúne igrejas coloniais, áreas rurais, banhados, dunas de água doce e uma extensa faixa de margens voltadas para o Lago Guaíba e a Laguna dos Patos. Foi também o lugar para onde o governo da capitania se transferiu durante uma das maiores crises militares do período colonial.

Por que Viamão chegou a ser a primeira capital do Rio Grande do Sul?

A ocupação de Viamão ganhou força a partir de 1741, quando foi construída a capela dedicada a Nossa Senhora da Conceição. O núcleo cresceu com a chegada de moradores vindos de Laguna, São Paulo e Portugal, além da presença de africanos escravizados que também participaram da formação econômica e social da região.

O episódio que mudaria a importância política do município aconteceu em 1763. Com a invasão espanhola de Vila de Rio Grande, o governo da capitania deixou a área ameaçada e se refugiou em Viamão. A localidade passou então a funcionar como sede administrativa do Rio Grande de São Pedro, permanecendo nessa condição por aproximadamente dez anos, até a transferência do governo para Porto Alegre.

A posição estratégica voltou a colocar Viamão no centro dos conflitos décadas depois. Durante a Revolução Farroupilha, em 1836, Bento Gonçalves instalou um acampamento entre o centro de Viamão e Itapuã enquanto as forças farroupilhas participavam do cerco a Porto Alegre. A paisagem rural que hoje parece distante da capital, portanto, já foi cenário de decisões políticas e militares que marcaram a história do estado.

O que fazer nas margens do Guaíba e da Laguna dos Patos?

Viamão tem uma característica que muda completamente a experiência de quem visita: os principais atrativos estão espalhados por uma área enorme, entre campos, morros, praias de água doce e unidades de conservação. Por isso, o ideal é separar os passeios por região e usar o carro para aproveitar melhor o município.

  • Parque Estadual de Itapuã: área de 5.566 hectares que preserva um dos últimos grandes remanescentes dos ecossistemas originais da Região Metropolitana de Porto Alegre. O parque reúne dunas, lagoas, matas e praias de água doce.
  • Farol de Itapuã: construído em 1860, fica em uma posição estratégica onde o Guaíba encontra a Laguna dos Patos. A estrutura pode ser observada em passeios de barco pela região.
  • Parque Natural Municipal Saint-Hilaire: com 1.148 hectares, possui trilhas, mais de 50 nascentes, áreas de lazer e uma barragem. O nome homenageia o naturalista francês Auguste de Saint-Hilaire.
  • Refúgio da Vida Silvestre Banhado dos Pachecos: importante área de preservação que abriga uma população de cervos-do-pantanal. Uma torre de 16 metros permite observar a paisagem e a fauna da região.
  • Autódromo Internacional de Tarumã: inaugurado em 1970, tornou-se um dos circuitos mais tradicionais do automobilismo gaúcho, conhecido por curvas como a Tala-Larga e por receber competições nacionais e do Mercosul.
  • Cascata da Pedreira: localizada dentro do Saint-Hilaire, combina queda d’água, vegetação nativa e trilhas curtas, sendo uma alternativa para quem prefere um passeio mais tranquilo.

Onde a história de Viamão ainda aparece nas ruas?

No centro, a paisagem muda completamente. Entre construções baixas e ruas que acompanham o traçado antigo da cidade está a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, principal testemunho da formação colonial de Viamão.

Construída no século XVIII, a igreja é considerada a segunda paróquia mais antiga do Rio Grande do Sul e foi tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Seu interior conserva elementos da arte sacra colonial, incluindo talha dourada e imagens religiosas. Ao redor da praça, o conjunto urbano ainda permite perceber parte da configuração formada desde os primeiros anos da freguesia, quando Viamão começava a ganhar importância política no território gaúcho.

A primeira capital do Rio Grande do Sul guarda história preservada e parques naturais a 25 km de Porto Alegre que quase ninguém conhece
Viamão é uma cidade gaúcha com forte tradição cultural e histórica. // Reprodução: Wikipédia

Sabores da Rota das Especiarias

A gastronomia mistura tradição campeira com produção artesanal recente. A Rota das Especiarias conecta propriedades rurais que oferecem experiências gastronômicas ao ar livre.

  • Vinícola Pianegonda: adega com produção própria de Tannat, Merlot e Cabernet Sauvignon, além de espumante e grappa, com degustação no local.
  • Estância das Oliveiras: propriedade de olivoturismo premiada internacionalmente, com degustações orientadas e almoços temáticos em meio aos olivais.
  • Festa do Peixe e Festa do Arroz com Leite: eventos tradicionais que celebram ingredientes locais com programação cultural e música gaúcha.
  • Sítios de turismo rural: culinária campeira para grupos agendados, com açudes, trilhas em mata nativa e doces artesanais.

Leia também: Uma das cidades mais seguras do Brasil encanta também com moda direto da fábrica e charme alemão.

Qual a melhor época para visitar a primeira capital gaúcha?

O clima subtropical úmido garante estações bem definidas. Verões quentes convidam às praias do Guaíba, enquanto o inverno frio favorece passeios culturais e degustações em vinícolas.

 VerãoDez – Fev

Média: 19-31°C

Chuva: sub_chuva 🌦️ Média

Os dias quentes e longos movimentam as margens de água doce da região, tornando perfeito o roteiro focado nas praias de Itapuã e passeios de barco pelas lagoas.

 OutonoMar – Mai

Média: 13-25°C

Chuva: 🌦️ Média

A redução gradual das temperaturas e o clima ameno abrem o período ideal para caminhadas de longo curso e trilhas no Saint-Hilaire em meio à mata nativa.

 InvernoJun – Ago

Média: 7-19°C

Chuva: ⛈️ Alta

O frio rigoroso e a maior ocorrência de frentes de chuva convidam a priorizar roteiros gastronômicos e históricos protegidos nas vinícolas e Igreja Matriz regionais.

 PrimaveraSet – Nov

Média: 12-25°C

Chuva: 🌦️ Média

O retorno do clima agradável favorece o turismo contemplativo e o ecoturismo de preservação nos campos do Banhado dos Pachecos e olivais floridos.

💡Dica do especialista: Para quem busca contemplação da vida silvestre e caminhadas ao ar livre com temperaturas equilibradas, as estações de transição no outono e na primavera entregam o clima ideal. Se o objetivo central envolver lazer náutico e atividades de praia, o verão concentra o calor necessário para os banhos de lagoa, enquanto os meses de inverno exigem agasalhos reforçados e favorecem os circuitos fechados de gastronomia e patrimônio histórico.

Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar ao berço do Rio Grande do Sul?

Viamão fica a 25 km de Porto Alegre pela BR-116 e pela RS-040, cerca de 40 minutos de carro. O Aeroporto Internacional Salgado Filho está a 20 km. Linhas metropolitanas de ônibus partem do Terminal Triângulo e da capital.

A capital esquecida do Rio Grande do Sul

Poucos destinos guardam ao mesmo tempo o berço político de um estado, praias de água doce e o último refúgio de espécies ameaçadas da região metropolitana. Viamão entrega barroco colonial e mata nativa a menos de uma hora da capital.

Você precisa cruzar os 25 km desde Porto Alegre e sentir a herança de dez anos como capital em cada esquina de Viamão.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *