Na última sessão da Câmara Municipal, o vereador Thiago Gutierres protagonizou uma cena que, para muitos, ultrapassou os limites do aceitável: subiu à tribuna vestido de palhaço. Com nariz vermelho e tudo, o parlamentar justificou sua fantasia como um “ato simbólico” para criticar a política local. Mas, no fim das contas, quem foi ridicularizada a política ou a população?
O uso da imunidade parlamentar, princípio criado para garantir a liberdade de expressão dos representantes eleitos, foi, nesse episódio, colocado à prova. Serve para proteger o debate político ou para encobrir o escárnio público? Até onde vai o direito de se expressar e onde começa o desrespeito com a função que ocupa e com os eleitores que o colocaram ali?
A população, que enfrenta filas na saúde, escolas sucateadas e infraestrutura básica negligenciada, deve continuar pagando salários de mais de 16 mil reais mensais para esse tipo de atuação? Ou seria o caso de repensar o papel que alguns vereadores vêm desempenhando, transformando a tribuna num palco de vaidades e performances questionáveis?
Thiago Gutierres foi palhaço por um dia mas o verdadeiro espetáculo pode estar sendo oferecido há muito mais tempo. E, nesse circo, o ingresso é pago por todos nós.
Vereador palhaço ou população palhaça? Essa é a pergunta que ecoa nos corredores da política viamonense e nas ruas de uma cidade que, cada vez mais, parece assistir de camarote a comédia trágica da representação pública.
